
Fomos enviados pela igreja para viver e servir a Jesus junto à tribo indígena Sateré-Mawé através da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB).
John: 24 de setembro
Sonia 04 de março
Marcos: 18 de março
Kevin: 09 de maio
O povo Sateré-Mawé, um povo animista, mantém ainda uma boa parte da sua cultura milenar e, a grande maioria, apesar de usar comercialmente o português, ainda retém a sua língua mãe - a língua Sateré-Mawé. Um povo conservador, porém criativo, sobrevivem às pressões da sociedade envolvente, com seus preconceitos e capitalismo. Entretanto, suas tradições caíram em descrédito entre os mais jovens que não aceitam ser marginalizados pelo homem branco com seus preconceitos contra o índio.
Desconfiados da motivação dos não-índios, eles tentam resgatar seu valor como povo, adquirindo bens materiais e os jovens se vestindo com roupas de grife. Alguns tentam voltar às raízes num esforço para resgatar a cultura antiga. Não é tarefa fácil alcançar um povo assim. Desenvolvendo amizades profundas e tão necessárias para o povo confiar não só na sua motivação como também na mensagem que veio trazer. Haveria resposta para os dilemas e as preocupações e medos tão profundas que assolam os povos indígenas? E para as divisões e rixas tão arraigadas entre eles, será que existe alguma esperança, algum jeito de reinar a paz entre este povo tão dividido? E quanto à pajelança, a feitiçaria, as doenças, a morte, e os espíritos caprichosos e enganadores...
1. Vamos conhecer um pouco mais o povo Sateré-Mawé:
- Quantos são e onde moram? Qual é sua localização Geografica?
O povo Sateré-Mawé, grupo étnico que reside entre os estados do Amazonas e Pará, no último censo realizado pelo IBGE constava cerca de 9.000 habitantes. Este número tão grande de pessoas se divide entre 91 aldeias sob a mesma língua e cultura. Talvez 7.000 pessoas residam atualmente na área indígena andirá-marau, já demarcada, entre os rios Tapajós e Madeira. O povo vive espalhado em 6-7 rios diferentes, mas apesar das grandes distâncias há contato freqüente entre eles. Em busca de melhorias de vida escolar, moradia, e conforto material. Há uma integração de cerca de 2.000 pessoas da etnia que vivem nas cidades da região, inclusive na capital de Manaus. Estes procuram cursos superiores para assim tornarem-se políticos, médicos, técnicos em agricultura, enfermagem, etc. De fato, este grupo étnico é composto de pessoas inteligentes, porém menos favorecidos!
- Como sobrevivem? Economia? Transporte?
O grupo usufrui dos recursos da floresta onde moram. Suas principais atividades econômicas são a venda de artesanatos de fabricação própria, farinha de mandioca, o guaraná em pó - já comercializado em 27 países junto com outros produtos naturais da mata amazônica. Enquanto os produtores sobrevivem com o pouco que recebem pela safra, os mais instruídos e politizados da etnia se beneficiam de contatos comerciais internacionais e uma pequena indústria de beneficiamento do guaraná e outros produtos naturais na cidade de Manaus. Quando você vir a marca "Guaraná Sateré" ou "Guaraná Andirá" nas lojas, é a marca registrada do povo Sateré-Mawé. Não é difícil encontrar pessoas da etnia que residem nos centros urbanos andando de moto e usando telefone celular. Enquanto, na área indígena, hoje algumas pessoas já possuem antena parabólica e televisão.
O transporte na região é geralmente pelos rios. Na área indígena, o transporte é normalmente feito em canoas de madeira com motor rabeta ou também existem canoas de alumínio com motor de popa. Para a pesca, são utilizados cascos de madeira fabricados pelo próprio povo.
- Características da cultura e Língua
O povo Sateré é um povo aparentemente alegre e brincalhão. Eles se divertem com o dia-a-dia talvez em uma tentativa de amenizar o sofrimento da vida pesada e ingrata que vivem. Detalhes da fisionomia ou aspectos físicos de alguém servem para divertir o povo atribuindo apelidos como macaco barrigudo, macaco velho por ser grisalho, etc. Em geral, são muito receptivos e hospitaleiros apesar da desconfiança devido ao preconceito e abuso sofrido com os não índios.
A língua Sateré-Mawé foi analisada por Aryon D'aligna Rodrigues, reconhecido na área da lingüística. Ele denomina a língua como sendo derivada do tronco Tupi, porém consta como língua única da sua família por não se assemelhar a nenhuma outra língua do tronco. A língua Sateré é uma maravilha que Deus criou e dá gosto aprender cada vez mais!
- Alimentação, Trabalho e agricultura
A vida cotidiana deste povo é uma subsistência que depende da plantação, colheita, caça e pesca. Todo ano, as mesmas cenas se repetem quando por volta de junho/julho começa o trabalho da coivara - a derrubada e queima da roça para o plantio. Todo o processo até o plantio estende-se até dezembro ou até antes do início das chuvas. O povo trabalha em mutirão, regionalmente conhecido como "pusirom". A fonte básica da alimentação é a farinha fabricada após a colheita da mandioca. Também costumam comer a batata doce, cará, jerimum ou abóbora, milho, bananas e uma infinidade de frutas tropicais, e outros derivados da mandioca como, por exemplo: o beiju, o famoso tacacá e tantos outros pratos usados com o tucupí.
Sobrevivem da caça e da pesca, porém como tem muitas pessoas para alimentar e a caça é feita de forma indiscriminada, os animais silvestres são muito arredios e difíceis de matar. A pesca é pobre a maior parte do ano, porém piora muito mais na época da cheia, pois o rio aumenta muito, o que facilita o esconderijo dos peixes, mas não do pescador que pode muitas vezes ser visto até de madrugada "focando" com lanterna para encontrar alguma merenda.
- Educação cultural, Rituais, Emancipação, Casamento
A vida do Sateré começa ou termina dependendo de um sistema precário de conhecimentos culturais. Existem as "parteiras" práticas e outros que sabem "encaixar" o neném quando o mesmo está fora da posição. Também, existem aqueles que ajudam com "técnicas" de parto. Não podemos menosprezar este conhecimento, pois foi Deus que capacitou este povo a sobreviver. Muitas vezes seu conhecimento da vida funciona, outras vezes não.
O menino se torna adulto no ritual da tocandeira. No ato, para a emancipação, o menino coloca sua mão dentro de uma luva artesanal repleto de formigas tocandeiras. A dor ao ser picado pelas formigas é tremenda, pois é injetado o ácido fórmico. A dor de uma só picada dura 24 horas. Imagina então 30, 40, ou mais...? O objetivo do ritual da tocandeira é baseado em muito simbolismo é principalmente a saúde, tornar-se exímio caçador e, o amadurecimento rápido. Porém, o medo de não atingir uma participação de acordo com tabus e normas é o que motiva o povo a serem regidos por leis que visam afastar qualquer retaliação do mundo espiritual como doenças, morte, safra pobre, etc.
A vida adulta para meninas começa com a primeira menstruação. É um ritual que marca uma mudança brusca da vida de criança para a de adulto. Todavia, todo esforço na obediência dos tabus e rituais, passado de mães para filhas, tem o objetivo de afastar retaliações do mundo espiritual como doenças e morte.
2. Questão transcultural
- Como lidam com as diferenças?
O povo "tenta" lidar com as diferenças entre eles e os não-índios. Os fortes preconceitos e abusos que sofrem prejudicam em muito os relacionamentos. Já os jovens usam dinheiro dos aposentados para comprar roupas de grife e sistemas de som para diminuir as diferenças e na busca de remover a discriminação.
Para nós como missionários, fomos treinados para o trabalho transcultural. Entretanto, isso não diminui as barreiras e desconfianças que o povo tem para com todo não-índio. É essencial construir, a longo prazo, relacionamentos fortes baseados na confiança criada por cumprirmos a nossa palavra. Aprender a língua e cultura ajuda para reduzir estas barreiras. Realizar projetos de desenvolvimento comunitário também fornece oportunidades para desenvolvimento de relacionamentos e do próprio povo. Todavia, a longo prazo, ainda lutamos com o sincretismo religioso - i.e. a mistura de religião de fora com conceitos animistas. Também, lutamos com o próprio animismo, religião do povo, que cria muitas barreiras para aceitarem o ensino bíblico e a mensagem do evangelho.
3. Chamado
- John
De lar evangélico, fui adolescente rebelde, vendo inconsistências, mas precisando conhecer o amor verdadeiro de Jesus. Só me converti aos 19 anos depois de ter vivido uma vida que não correspondia às necessidades espirituais da minha vida interior. Voltando para a igreja que freqüentava quando criança, fui muito desafiado por missionários que compartilhavam seus ministérios. Com 3 anos de vida cristã, Deus me levou para o Seminário da New Tribes Mission na Inglaterra onde compreendi muito da Bíblia e o propósito da vida cristã. Durante o curso, fui desafiado por dois professores que antes eram missionários no Brasil. E assim fui direcionado por Deus para o ministério tribal no Brasil. Mais tarde conheci aquela pessoa que se tornaria minha esposa.
- Sonia
Com a conversão de minha mãe, aos meus doze anos, comecei a assistir aos cultos evangélicos, pois até então só conhecia as missas enfadonhas e muito cansativas. Tomando ciência de um lar dividido, uma vida rebelde contra o próprio Senhor e preferindo uma vida com amigos de escola que não era permitida arrastei-me até aos 16 quando, chegando para Pr. Liberino que visitava e orava por mim lhe disse não agüentar mais a vida sem Jesus. Fui batizada no mesmo ano e também em setembro, num programa de Missões na PIBSA cri que os planos do Senhor para mim como missionária seria para toda a vida.
4. Ministério
- Aprendizagem da língua e cultura
Foi na Missão Novas Tribos do Brasil, naquela época em Vianópolis-Goiás, que recebemos entre muitas outras matérias, o treinamento em princípios de lingüística e análise cultural para o futuro ministério transcultural. Provamos no campo que a prática, muitas vezes, é diferente em muitos aspectos da teoria. Várias pessoas da liderança da primeira aldeia onde trabalhamos recusaram-se a falar na língua conosco. Para eles, nunca aprenderíamos sua língua. Bastava falarmos em português a nossa mensagem que eles traduziriam. Descobrimos depois de um tempo que sua compreensão do português deixava muito a desejar. Suas traduções não eram fieis à tão importante mensagem. Éramos nós que teríamos de aprender sua língua como ferramenta de comunicação com este povo que Deus quer alcançar. Hoje, ganhamos o respeito destas pessoas que falam conosco somente na língua sateré!
- Tradução bíblica e lições
Depois de chegar a um nível mais avançado no idioma, começou o trabalho de tradução bíblico e das lições bíblicas auxiliares para o ensino. Este trabalho é a longo prazo, precisando de um bom conhecimento da língua e anos de dedicação e paciência tanto do missionário como do ajudante nativo. Já temos alguns trechos e lições bíblicos traduzidos na língua Sateré-Mawé. Também já tivemos o privilégio de ensinar um pequeno grupo usando este material. Esperamos um dia completar o trabalho de tradução, ensinar o povo e, ver igrejas fortes e missionárias estabelecidas com liderança local.
- Alfabetização adulto/cartilha
Muitas pessoas de 40 anos para cima não tiveram o privilégio de serem alfabetizadas, pois escolas indígenas eram raras e distantes naquela época. Hoje, a maioria dos jovens é alfabetizada na própria língua com a transição posterior para o português. Sonia já alfabetizou um grupo de adultos usando material que criou junto com o chefe da nossa comunidade. Nós esperamos que um dia muitos outros serão alfabetizados, pois só assim terão acesso à palavra escrita de Deus.
- Projetos: padaria; escola; desenvolvimento de moradia; poço; pista de pouso
O ser humano, feito por Deus, possui necessidades ligadas à sua essência. Cada pessoa é dotada de corpo, alma e espírito, portanto tem necessidades físicas, emocionais e, espirituais. Hoje, os projetos de desenvolvimento comunitário e étnico sustentáveis são essenciais para a permanência dos missionários nas áreas indígenas. Todavia, descobrimos nos evangelhos que Jesus sempre trabalhou com a pessoa na íntegra. Para testemunharmos de Cristo, criamos projetos que visam o desenvolvimento comunitário e pessoal:
1. O povo há muito tempo tem criação de galinhas. Entretanto, precisavam de meios sustentáveis de alimentá-las e protegê-las de predadores. Foi criado então o projeto "galinheiro" que compreende a compra de tela para a construção de galinheiros e, incentivamos o plantio do milho para ração e como fonte alternativa de alimentação própria. Alimentos à base de milho como pamonha, cural, bolo de milho, etc., estão sendo introduzidos, ensinando o processo para poderem produzir estas fontes alternativas de alimentação. O frango já fazia parte da dieta do povo.
2. Como fonte alternativa de alimentação e criação de renda própria, foi criado o projeto "Padaria." A construção de uma casinha de tábuas e o forno de tijolos e cimento deu início ao trabalho dos padeiros e a venda de pães. Embora, todos tenham gostado do projeto, no momento está parado. Infelizmente, o desacordo entre certos grupos quanto aos lucros, embora pequenos, tem sido o motivo da paralisação do projeto.
3. O projeto "desenvolvimento de moradia" foi criado como projeto totalmente sustentável para suprir necessidades específicas na comunidade onde trabalhamos. Primeiramente, o tipo de moradia existente entre o povo comprometia a saúde em geral. Um fator secundário, porém não menos importante, é a auto-estima do povo. Usando um operador de moto-serra experiente, foi treinado alguém para tirar madeira para a construção de casas de tábua com assoalho elevado do chão. Somente utilizam madeira suficiente para a construção de novas moradias, portanto não há desmatamento. Este projeto já se tornou auto-sustentável, pois o próprio povo da comunidade faz hoje todo o trabalho e a manutenção do equipamento.
4. Um grupo de voluntários de 24 pessoas veio para realizar um projeto de missões. Foi assim que o prédio duplex de salas de aula foi construído em duas semanas. O povo ficou muito contente tanto com a ajuda como também com o projeto, sendo que eles mesmos escolheram o estilo.
- Nosso tempo de licença e retorno em Janeiro 2011
- O tratamento de saúde do John
- Vida escolar do Marcos e Kevin
- Salvação do povo Sateré-Mawé

Estado: Amazonas
Distância de São Paulo: 3.863 Km
O povo Sateré-Mawé é um povo carente que sofre preconceitos e tem um profundo senso de rejeição e inferioridade, além do sincretismo religioso. Politicamente, são bem ativos, porém são manipulados na época das eleições. A tribo tem sua própria organização política através do tuxaua (cacique) local. Quanto à religião os indígenas buscam interesse apenas nos benefícios provenientes da mesma, ore por sede de Deus nesse povo. A geração mais jovem, que recebe educação, percebe as contradições e inconsistências da religião deles, ore para que Deus use essa situação. O clima é bem quente e úmido, que traz muita fadiga, problemas de saúde, concentração no trabalho, etc. O trabalho nas roças ocupa cerca de sete meses do ano. Nesta época, temos pouco contato com o povo durante o dia, pois chegam a trabalhar até as 4 da tarde, e em seguida precisam ir caçar, pescar, etc. O cansaço e fome deles nesta época torna difícil o ensino.


